Anunciado como um "reboot" para a série, Devil May Cry (Ou simplesmente DMC) passou por um processo produtivo não muito confortável devido a visível diferença de suas origens não tão distantes e a indignação de muitos gamers que consideraram desnecessário este reinício da série. Quando o primeiro Devil May Cry surgiu no saudoso PS2, o intuito era de dar uma nova dinâmica para a série Resident Evil (percebam aqui que não é de hoje que a capcom pensa em alterar o estilo de uma de suas principais franquias). Porém o jogo ganhou personalidade própria ao longo de sua produção e tornou-se uma nova IP para a alegria de todos.
Vale ressaltar que este que vos fala sempre foi um grande fã da série, pela sua ambientação gótica, pela personalidade do Dante e principalmente, pela sua gameplay frenética, porém habilidosa, diferenciando-se de muitos hack'n slash lançados desde então. Dito isto, vamos a review.
História pra que te quero...
Um fato óbvio, porém incontestável como a maior diferenciação de um filme para um game, de certo é a sua história. Enquanto o cinema preza por ela, os jogos prezam pela sua gameplay. Com o avanço dos games e toda a sua tecnologia, ficou evidente que a gameplay não poderia ser para sempre o único foco de um bom jogo, fez-se necessário então uma atenção maior a este aspecto. É comum atualmente vermos muitos aspectos de filmes em jogos, para o bem ou para o mal, quem me conhece sabe que também sou cinéfilo e com isso aprendi a diferenciar os pontos positivos e negativos que os modismos de hollywood trouxe ao entretenimento e inevitavelmente, sua influência nos games. Se pelo lado negativo temos os clichês e e enredos que parecem seguir uma mesma receita pré fabricada, o ponto positivo desta influência é a necessidade de se explicar propósitos, atitudes e personalidades do que se vê: Quem é o herói? Por que ele é um herói? Quem é o vilão e qual o seu propósito? ou então por que o cabelo de dante não é branco? Acredite, esta pergunta é pertinente (e devidamente explicada) no contexto do jogo.
A verdade é que a Ninja Theory tornou DMC contemporâneo, trouxe ao game uma nova dinâmica em seu enredo, uma roupagem mais condizente com o tempo em que vivemos e jogou sob o game uma racionalização que até então nenhum outro game da série se deu ao trabalho de explicar, e acreditem, ficou muito bom. O lore da série foi respeitado, mas a empresa maximizou justamente os pontos onde os DMCs anteriores falharam: Deram um propósito condizente para Dante e não só para ele, como também para seu irmão gêmeo Vergil além de seu principal vilão, Mundus. Personagens secundários surgem também na história e cada um tem um papel relevante na trama, seja vilão ou mocinho, todos tem o seu papel, até os pais de Dante são citados de uma forma que busque humanizar o personagem principal e dar a ele a motivação necessária que contextualiza o que ele foi, o que ele é e o que ele pode se tornar. Neste ponto você pode estar se questionando o quanto Dante foi descaracterizado devido a isso, mas pode se tranquilizar, pois o Dante ainda é sarcástico e com aquele humor negro que conhecemos. O jogo é recheado de conversas entre Dante e demais personagens, inclusive in game, e algumas delas são memoráveis, seja pela situação do momento, seja pelo estilo escrachado e debochado de Dante.
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| Poor Dante... |
E é bonito?
É sim senhor. Mais um ponto onde a Ninja Theory acertou em cheio foi com a arte gráfica do game. A ambientação gótica ainda existe, apesar de ter um mix entre o antigo e o atual, o game tem uma ambientação única, tanto nas passagens normais quanto nos ambientes do limbo (é o local onde a batalha com os demônios ocorrem, na trama explica isso também), o grafismo é um primor em estilo e vai ter muitos momentos em que você vai parar para observar todos estes detalhes e a produtora sabia disso e pontuou bem o game com locais que envolve plataforma, onde será possível admirar todo o estilo gráfico do jogo. Algumas passagens do game tem uma paleta de cores intencionalmente exageradas e saturadas, pode cansar as vistas de inicio, mas acostuma-se facilmente. Eu joguei em um PC até modesto (Dual core 2.8, Geforce 9800GT e 4 GB RAM com Win8 64bits) e pude rodar o game sem nenhum engasgo a suaves 60 fps, com texturas HDs e v-sync ativados. A Ninja Theory definitivamente soube maximizar bem a já conhecida Unreal engine 3. O trabalho de MoCap também é primoroso, digno dos trabalhos anteriores da Ninja Theory (heavelyn sword, Enslaved) tanto nas expressões faciais quanto na movimentação de dante e inimigos durante a gameplay. Outro ponto que pode aliviar o furor de alguns fãs é que a produtora abandonou aquele character design duvidoso quando os primeiros vídeos foram liberados. Podem ficar tranquilos, Dante não parece mais com a Rihanna fumando um cigarro do capeta como foi mostrado pela primeira vez.
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| A cidade vista sob a ótica do limbo |
Músicas para os meus ouvidos...
O que seria de DMC sem o metal rolando solto enquanto você retalha demônios? difícil imaginar uma trilha se encaixar tão bem em um game como rock metal em DMC. As músicas mais agressivas pontuam os momentos certos da ação, com a AI cuidando de sincronizar a música nos momentos certos de inicio e fim de batalha, enquanto nas partes de exploração é valorizado o som ambiental. Não sei dizer qual o nome das bandas que tocam no game e nem vou pesquisar para por aqui, deal with it, mas assista os créditos até o fim que você será recompensado com o trabalho de making off dos caras, o que inclui as bandas usadas na trilha sonora do game.
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| Todas Poison pira nimim |
Mas nada disso acima valeria sem uma boa...
Gameplay. A principal característica de um game não pode ser esquecida e fiquei feliz em notar que o dever de casa foi feito nesta parte também. Dante inicia o game com a sua fiel espada Rebellion, além das pistolas Ebony e Ivory, mas durante a história mais armas são acrescentadas para dar uma excelente variada na gameplay. Além da espada principal, o game acrescenta mais 2 armas angelicais e 2 demoníacas, além de mais 2 armas de fogo, todas com sua arvore de habilidade com novas skills a serem desbloqueadas conforme sua pontuação durante o game, e o mais legal disso tudo é que esses pontos podem ser relocados para onde o jogador bem entender. Se você quiser retirar algumas habilidades de uma arma para maximizar outra, o jogo te permite isso e quantas vezes você quiser, apesar de que um bom jogador dificilmente usará isso, visto que o jogo bonifica fartamente um jogador que alcança um ranking de "S" em diante durante as batalhas.
Como dito acima, você tem armas angelicais e armas demoníacas, e estas características são exigidas durante as batalhas. Existem inimigos que só recebem dano com um tipo especifico de arma e é comum o jogo lançar durante a mesma batalha uma variedade de inimigos que te obrigará a usar ambos os tipos de armas. Os gatilhos (ou R2 e L2) devem ser mantidos pressionados para ativar uma destas armas (esquerda para angelical e direita para demoníaca). O sistema pode e vai parecer confuso de inicio, mas com o tempo você vai perceber que foi uma decisão acertada da produtora em criar este esquema, pois torna a troca de armas muito mais ágil na hora de variar os combos e subir o seu ranking durante a batalha. A possibilidade de combos diferentes e frenéticos é tão extensa com este sistema que não vai ser estranho para você assistir a tela de loading (onde tem uma tela de "tips" mostrando Dante dando inúmeros combos) e notar que nunca tinha feito aquele combo mostrado desde então.
O jogo possui 6 níveis de dificuldade, porém no início somente 3 estão abertos para uso. A medida que o jogador termina o game, um novo nível é aberto e o próximo será aberto quando se termina o game com a ultima dificuldade liberada. A mais "difícil" de inicio é a nephelin, que é indicada para quem já é experiente em hack'n slash. Convenhamos, não é muito difícil, mas o replay value do game é grande justamente pela sua gameplay diversificada, então se você se acha O CARA em DMC, tente liberar a Hell and hell, última dificuldade possível a ser liberada, onde os inimigos tem o maior nível de habilidade e life possível, enquanto Dante morre por um único golpe qualquer...
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| Cabelos Brancos? |
Resumo da ópera...
DMC é um excelente hack'n slash, com bons gráficos, história bacana e uma gameplay que lhe instiga a jogar novamente pelas batalhas, sem esquecer as partes de plataforma, apesar de poucos elementos de exploração (poucos, mas existem). É um game recomendado tanto aos novatos na série quanto aos veteranos. Então não deixe o seu ceticismo o impedir de jogar o competente trabalho que a Ninja Theory fez em DMC, pois apesar de ser um reboot, o lore da série foi respeitado e até maximizado em alguns pontos de sua estrutura.








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