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Retro análise: Race Driver GRID

Olá mixers, inaugurando a sessão Retro análises, quero começar com um dos jogos de corrida mais queridos desta geração que é o Race Driver GRID. A review foi feita pelo meu amigo Ieu (não eu, o IEU),  o cara manja muito de games de corrida e fez uma abordagem primorosa dos aspectos mais interessantes deste game, além de ser uma review do tipo que você termina de ler e quer sair correndo pra comprar o game, então posso garantir que esta sessão começou com chave de ouro, enjoy!


RACE DRIVER GRID

Quando tratamos de jogos de carros, logo vem a mente duas vertentes: os simuladores com seus carros lentos que não fazem curva e pesam igual a um tijolo, ou os arcades, com carros movidos a turbinas espaciais fazendo de 0 a 100 em 0.2s e indestrutíveis. Mas ainda assim, temos aquela parcela de pessoas que não sabem o que quer da vida, qurendo uma experiência meio a meio com carros que corram em circuitos mas façam curvas, ou apenas tirar uma onda de piloto profissa manjador das putarias, mas que nunca soube na vida o que significa linha de corrida.

Uma pessoa qualquer tentando achar a linha de corrida no carro dos outros.

Nesse caso de meio termo, um dos primeiros nomes que vem a cabeça é a série ToCA, da codemasters. Nascida nos idos de 1997 pra preencher um vazio entre os simuladores da época (como a série Grand Prix, no PC, e... tá, vá lá, Gran Turismo no PS1) e seus arcades (como Need For Speed), possuía todo o grid de largada do campeonato inglês de turismo e suas provas, e uma física que tentava ser simuladora, mas ainda assim era amigável com quem nunca quis saber sobre a tangência de uma curva na vida. Dessa família, surgiu um dos nomes mais famosos desse segmento de meio-a-meio: Race Driver GRID.

Sucessor direto de ToCA Race Driver 3 (que de ToCA já não tinha mais nada, visto que o campeonato inglês de turismo tinha sumido desde Race Driver 1), conta com 43 carros (entre as categorias de Le Mans, campeonatos regionais e Drift) e 15 pistas (entre poucas reais e outras baseadas em locais reais). É um demo, se comparado ao seu antecessor direto, que tinha 40 pistas e mais de 70 carros.

"Hello Luke, your car is ready and waiting."


Gráficos: O dia em que a Terra parou... Às 6 da tarde.

Race Driver: GRID foi feito em cima da engine EGO, criada pela Codemasters em parceria com a Sony, e que em 2006 deu origem ao Colin McRae: DiRT. Na época em que foi lançado, um dos grandes problemas de DiRT foi justamente ser desnecessariamente pesado (mesmo PCs mid-end sofriam pra rodar ele de um jeito satisfatório na época), defeito esse bem resolvido em GRID, apresentando gráficos agradáveis, de certa forma, a um custo não muito alto de hardware (eu rodava ele em resolução cheia de 768p com detalhes no médio numa HD4200 onboard). Agora você me pergunta: o que você quer dizer com "agradáveis de certa forma"?


Explico: Dois dos grandíssimos problemas envolvendo os gráficos não foram resolvidos: o excessivo light bloom (efeito que simula a reação do olho à claridade, o qual foi muito prostituído no início da geração HD, época em que se achava que o mundo deveria brilhar tanto quanto um colar de diamantes) e o aspecto amarelado dos gráficos (carinhosamente apelidado de "piss filter", ou filtro de xixi), que dava um aspecto que o jogo sempre se passava às 6 da tarde, mesmo nas 24 horas de Le Mans, que pode ser disputada em tempo real e que dura... 24 horas. Adicionando isso aos efeitos de danos nos carros no mínimo bizarro, que parecem feito de massinha.

Tipo isso.

Ok, mas nem tudo no departamento gráfico do GRID é falho. Os efeitos de partículas são brilhantes (literalmente falando), com muitas faíscas e cacos de coisas voando pra todo lado nas batidas, um efeito de fumaça bem denso, quase equivalente ao do NASCAR Racing Season 2003 (um detalhe engraçado sobre o GRID, que é um jogo de turismo, é que ele tem efeitos de fumaça melhores que TODOS OS DiRT JÁ LANÇADOS, INCLUINDO O 3!!!!!!!!! E sim, em um jogo de rally, efeito de fumaça/partícula conta mais que reflexos no carro, period), a ambientação a noite é muito boa, pistas muito bem detalhadas e com texturas muito bem feitas numa boa resolução (a arquibancada é animada, incluindo aí algumas pessoas que se movimentam ao lado da pista, como os da organização), e carros destrutíveis com um bom nível de detalhes (impressionante para a época). Para um jogo de 4 anos atrás, ele envelheceu bem até.

Macabra essa roda hein?

Áudio: Vitória fantástica! Você tem que ver o replay disso!

Uma das coisas fantásticas sobre a EGO é que, o que ela não tem no visual, compensa no áudio. Tá, nao é aquela frescura mais que nem no DiRT, com 315686612662615 sons para cada carro, mas é extremamente bem feito. Cada carro tem o seu próprio som, interno e externo, além de vários efeitos como as pedras da caixa de brita, a grama e o "cantar" dos pneus terem tido atenção especial também. O teu chefe de equipe o tempo todo dá informações do que acontece na corrida, como quantos carros tem a sua frente ou quem bateu, até mesmo algumas frases de incentivo, tudo isso ainda te chamando pelo nome (que você escolhe a primeira vez que você joga). Mas, o mais supreendente mesmo, é denovo a arquibancada, plenamente interativa, vibrando quando você passa a milhão na reta, se assustando nas batidas ou simplesmente te vaiando quando seu carro falha já na largada. Simplesmente lindo.

Quanto a musiquinhas, bem... Tirando o remix de No One Knows, do Queens Of The Stone Age, na intro, o resto é tudo musiquinha random de menu. Boas, mas random.

Partículas at it's best


Gameplay: O demo com preço de jogo cheio, mas sem Prologue no nome.

Ok, ok. Nesse departamento, a EGO é ame ou odeie, pois a física é exatamente a mesma do DiRT. Não é nada que seja "OMG, É MAIS REAL QUE A REALIDADE", mas tem suas pitadas de simulação, e tem a melhor física da série. Carros são livres, capotam, reagem bem às batidas, você sente que o chão e parede tem alguma fricção e sente a diferença entre a grama e o asfalto (denovo, melhor que os DiRT). Os controles variam de amigáveis a teclados e gamepads, com ABS, TCS (tração) e estabilidade, a desafiadores nos voltantes, com essas assistências desligadas. Mas o mais legal aqui é que as assistências não te xingam de burro. Embora o jogo pareça um pouco mais fácil, demanda uma certa habilidade com jogos de corrida do jogador, não é uma coisa que cospe na tua cara e dirige por você. A IA também faz jogo duro, te fechando, batendo no seu carro, inclusive até te adicionando numa lista negra caso seu carro fique arrancando demais a porta dele. Fazendo uma analogia rápida, é como o pai segurar uma criança pra andar de bicicleta e soltar, pra que ela se vire sozinha pra andar. O jogo não chega a te ensinar como o Gran Turismo e suas licenças nem pega na sua mão e bota comida na sua boca mastigada como no NFS Shift 2 com auto turn e linha colorida de corrida, mas serve de passatempo enquanto você aprende a dominar as mecânicas, principalmente no modo drift.

Já falei aqui o quanto eu amo esses efeitos de fumaça?

O modo carreira de GRID apresenta aquele típico esquema "corra, desbloqueie, compre, corra denovo", com campeonatos divididos em 3 continentes (norte americano, europeu e asiático) com suas respectivas pistas e carros. Nada muito novo ou difícil aqui, nenhuma grande sacada. Mas aqui vemos um problema no jogo, e é aqui que sua falta de conteúdo fica muito mais evidente.



Juro que acabei de resumir aqui a lista completa de carros do jogo inteiro.

Vindo da mesma linhagem do variado ToCA Race Driver 3, Race Driver: GRID é limitadíssimo, tendo somente carros de asfalto pra correr (contra rally, caminhões e karts do antecessor). Mesmo apesar de terem adicionado o drift, você ainda tem aquela sensação de repetição excessiva: você vai correr com os mesmos carros nas mesmas pistas muitas vezes durante o jogo, devido ao número baixo de conteúdo. Houve ainda escassos DLC's, relegados apenas aos consoles (2 no PS3 e 1 no X360), mas ainda assim, não ameniza muito a situação. O que conforta é que, pelo menos, você pode correr de dia e a noite.

Pow!!!
Resumo da ópera: Pilotagem de final de semana é issae.


Race Driver: GRID peca em alguns aspectos, se sai bem em outros, no geral é um bom jogo. Bom, mas por poucas coisas, não excelente. O visual amarelado e a falta de conteúdo incomodam, mas não me fazem dizer que GRID não seja uma boa compra. Visto que tem no Steam por 15 dólares e é facilmente achado usado, é uma boa opção se você quiser correr em circuitos, bater alguns carros e se divertir. Não diria essencial nem indispensável, mas é uma oferta sedutora aos fãs de corrida.

Visão interna do cockpit do Viper. Maneiro né?


Review escrito por "Ieu" Luciano Augusto 
Página no finalboss: http://www.finalboss.com/fb5/perfil.asp?pid=9451






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