Pessoas gostam de coisas erradas. Eu tenho certeza que você já quebrou algo que sua mãe falou pra não tocar, ou que você pisou naquela grama que a plaquinha falou pra não pisar. Mas, sabemos que seu instinto maligno não foi completamente preenchido com essas coisas pequenas. Você precisa de mais. MUITO MAIS maldade. Mas, sabemos também que você não quer apodrecer o resto da sua vida na cadeia, só porque seu instinto maligno quis que você roubasse a panificadora da esquina. Ok, tudo bem. Porque as pessoas aprenderam formas de como extravasar isso sem que necessariamente machuque alguém: temos filmes, músicas, textos, vídeos, e… jogos.
![]() |
Seria daora um modo chamado “capture a rosquinha”, não? |
Pessoas que gostam de carros não se contentam em apenas andar a 60km/h, e acabar preso num engarrafamento de 2 horas. Ok, isso é bem chato. Elas querem pisar fundo no acelerador, sentir o corpo colar no banco, atravessar a faixa vermelha do conta giros, enfim, tudo o que papai um dia falou pra não fazer (mas ele fazia mesmo assim). Uma das séries que mais patrocinou esses sonhos e desejos de apaixonados por carros foi Need For Speed, da Electronic Arts. Sim, ela mesmo. E sim, foi.
Chegamos em 2008, quase 2009: EA quase conseguiu matar de todo uma de suas mais bem faladas franquias só fazendo cagada. Após Pro Street, a confiança dos jogadores na série estava MUITO abalada. E então, o que fazer num cenário desses? Promessas. Bem ao estilo SEGA de ser, prometeram que o NFS voltaria a suas raízes no novíssimo Need For Speed Undercover (o qual era pra ser o sucessor do tão aclamado Most Wanted), com carros velozes, mapa aberto, perseguições policiais, e toda aquela porcaria que te fez amar Most Wanted e Hot Pursuit, e te faz amar jogos arcades: a possibilidade de ser um superman sem se preocupar com efeitos colaterais da realidade. E, bem ao estilo SEGA de ser, a credibilidade deles já estava abalada pelo Carbon e Pro Street. Mas então saíram as primeiras imagens, as primeiras gameplays, e a galera tocou o dane-se e passou a desejar o novo NFS, que mais tarde provaria ser somente mais uma desilusão.
![]() |
Parece um jogo legal, mas nem é |
Chegamos em 2008, quase 2009: EA quase conseguiu matar de todo uma de suas mais bem faladas franquias só fazendo cagada. Após Pro Street, a confiança dos jogadores na série estava MUITO abalada. E então, o que fazer num cenário desses? Promessas. Bem ao estilo SEGA de ser, prometeram que o NFS voltaria a suas raízes no novíssimo Need For Speed Undercover (o qual era pra ser o sucessor do tão aclamado Most Wanted), com carros velozes, mapa aberto, perseguições policiais, e toda aquela porcaria que te fez amar Most Wanted e Hot Pursuit, e te faz amar jogos arcades: a possibilidade de ser um superman sem se preocupar com efeitos colaterais da realidade. E, bem ao estilo SEGA de ser, a credibilidade deles já estava abalada pelo Carbon e Pro Street. Mas então saíram as primeiras imagens, as primeiras gameplays, e a galera tocou o dane-se e passou a desejar o novo NFS, que mais tarde provaria ser somente mais uma desilusão.
![]() |
O jogo pode ser um insulto, mas é um insulto com carros muito bem feitos |
A primeira coisa que respeitaram ao fazer um “Most Wanted HD” foram os gráficos. Como o jogo só se passaria de tarde, tudo tinha que parecer o mais amarelo e mais brilhoso que pudesse (tenho pra mim que o diretor de arte desse jogo é o mesmo zé ruela do Colin McRae: DiRT e Race Driver GRID, mas enfim). Pra qualquer lado que se olhe, seus olhos serão impiedosamente estuprados pelo light bloom nesse jogo: todo e qualquer espaço parecerá tão brilhante quanto barras de ouro que valem mais que dinheiro. Você achará até mesmo que Jesus voltou a Terra, tamanho brilho. Se você for um vampiro ou tiver astigmatismo, não recomendaria jogar esse jogo. Não que eu recomende esse jogo a alguém que se encaixe fora de um desses dois tipos, mas enfim. Sombras nesse jogo também são mais úteis desligadas: são tão serrilhadas quanto uma motosserra e sequer mapeiam a carroceria. Tudo isso só demonstra que o jogo foi programado pelos chimpanzés do YouTube.
![]() |
Sinta a pressão da sombra sendo carregada DO SEU LADO |
De resto, a engine foi reaproveitada do fracassado Pro Street. Aquele efeito de fumaça que tanto causou alarde está aqui, junto de texturas um tanto quanto lavadas, uma até bonita e vasta cidade fantasma com muitas estradas mas quase ninguém usando, carros bem trabalhados e sólidos, com boa contagem poligonal e texturas na medida, e que sofrem danos até que decentes, tirando um ou outro bug de colisão. Nas cutscenes, o mesmo esquema usado no Most Wanted/Carbon com CGs que mesclam pessoas reais com locais do jogo, com uma historinha bem malhação sobre um policial infiltrado no submundo dos rachas e blábláblá. Nada que te fará muita falta ao longo da vida.
Áudio: Bem escondidinho
![]() |
Tão brilhante que acho que vou encontrar Deus pelo caminho |
Áudio: Bem escondidinho
O departamento sonoro do NFS Undercover é bem o que você espera da EA. Só que não.
Apesar dos carros continuarem com seus sons muito bem feitos, gravados de carros reais e cada um com seu próprio som, o cantar de pneus que ficou realmente bom, e o rádio policial (que agora contém mais linhas de diálogo), todo o resto soa exatamente igual ao ouvido em Most Wanted e Carbon. Mas você só vai se dar conta disso quando conseguir perceber eles: o jogo inteiro vai parecer que você está jogando com um travesseiro na orelha, pois tudo soa extremamente abafado.
Quanto a setlist de músicas, ela não é ruim, contando com algumas coisas bacanas na parte de rock e eletrônica (com Pendulum), mas a EA conseguiu falir até esse departamento: tendo retirado o EA Trax, não dá mais pra selecionar quais músicas você quer que toque durante a jogatina. Resultado? Prepare-se pra conviver com as músicas mais irritantes da lista pelo resto das corridas.
Gameplay: Crise de identidade falando alto
Tendo sido feito em cima da mesma engine do Pro Street, o que esperar da parte física? Exato: uma coisa bem bizarra, do tipo que um Lancer Evo X peida mais pra fazer curva que um Corvette. Se não bastasse algumas incoerências com as características de alguns carros, a jogabilidade é uma coisa que não sabe o que quer ser da vida: se é um arcade onde carros tem pneus a base de Super Bonder, ou se tenta ser simulador com quase nula sensação de velocidade, com tanta aderência quanto uma pedra de sabão em um piso molhado.
Tudo o que sabemos é que a EA chamou isso de HDE (Heroic Driving Engine, ou “motor de direção heróica”, numa tradução bem *), que até parecia empolgante no papel, onde seria uma física que te auxiliaria a fazer firulinhas legais com o carro, como cavalos de pau, zerinhos e burnouts. Mas na prática é uma física que mais atrapalha que ajuda, com uma câmera mais burra que uma porta e mais vibratória que um… deixa pra lá.
![]() |
E vocês achando que efeitinhos bizarros de cor eram exclusivos só da novela |
Quanto a setlist de músicas, ela não é ruim, contando com algumas coisas bacanas na parte de rock e eletrônica (com Pendulum), mas a EA conseguiu falir até esse departamento: tendo retirado o EA Trax, não dá mais pra selecionar quais músicas você quer que toque durante a jogatina. Resultado? Prepare-se pra conviver com as músicas mais irritantes da lista pelo resto das corridas.
![]() |
It’s an 1-8-7 on a motherfucking cop |
Gameplay: Crise de identidade falando alto
Tendo sido feito em cima da mesma engine do Pro Street, o que esperar da parte física? Exato: uma coisa bem bizarra, do tipo que um Lancer Evo X peida mais pra fazer curva que um Corvette. Se não bastasse algumas incoerências com as características de alguns carros, a jogabilidade é uma coisa que não sabe o que quer ser da vida: se é um arcade onde carros tem pneus a base de Super Bonder, ou se tenta ser simulador com quase nula sensação de velocidade, com tanta aderência quanto uma pedra de sabão em um piso molhado.
![]() |
Aparece isso na tela, você já sabe que o pau come |
Tudo o que sabemos é que a EA chamou isso de HDE (Heroic Driving Engine, ou “motor de direção heróica”, numa tradução bem *), que até parecia empolgante no papel, onde seria uma física que te auxiliaria a fazer firulinhas legais com o carro, como cavalos de pau, zerinhos e burnouts. Mas na prática é uma física que mais atrapalha que ajuda, com uma câmera mais burra que uma porta e mais vibratória que um… deixa pra lá.
![]() |
Manhêêêêêêêêêê, tem mofo na minha gameplay |
Resumo da ópera: Aonde você quis chegar com isso, EA?
Se, ao anunciarem Undercover, disseram que o NFS voltaria às raízes, alguém fez uma cagada MUITO grande no meio do processo. Se isso foi o empenho pra tentar salvar a série da depressão profunda que ela mesmo causou com Pro Street, temo pelo pior que ela pudesse fazer com isso. Mas, passada toda essa angústia, vemos que a EA tratou o NFS bem ao estilo SEGA de ser: prometeu várias coisas legais no papel, jogou várias idéias que, se tivessem sido bem estudadas e bem trabalhadas, teriam dado muito certo, mas no fim pegou tudo, esfregou no saco, e jogou pra galera na maior cara de pau. O motivo de eu ter me dado o trabalho de instalar denovo esse jogo na máquina era lembrar o porque que eu não tinha gostado do jogo, e porque todo mundo xingava ele. E esse review ficará justamente para me lembrar o porque nunca mais instalar/jogar isso denovo.
![]() |
Sua cara depois de ver que gastou 5 dólares e 4.8GB de download pra nada |
0 comentários:
Postar um comentário