Mula de Testes: SEGA Rally Revo

Rally. Ah, o rally. Não há nesse mundo esporte mais agradável que o rally. Onde os pilotos tem que ter bolas de aço como pré-requisito para correr no cascalho acima de 150 km/h com alguém gritando na sua orelha, desviando de buracos, espectadores desprovidos de massa encefálica ao redor da pista, que comem quilos de poeira, pedras, lama, volta e meia peças de um carro que bateu pelo amor ao esporte, e tudo isso administrando os danos do carro, para conseguir chegar inteiro ao final do campeonato. Tudo isso com carros que usamos no nosso dia-a-dia, como Golfs, Peugeots e Fords da vida. É um esporte que desperta o companheirismo dos envolvidos, não importando sua raça, cor, credo, dinheiro no banco, marca favorita, tamanho do nariz, enfim, poucos esportes que envolvem o amor unem tanto quanto o rally.


Rally: unindo pessoas e cachorros desde a invenção do automóvel

Desde os primórdios dos videogames, sempre tentou-se recriar essa mesma experiência, a mesma paixão, que envolvia o rally. Mas um dos que tiveram mais êxito nessa empreitada foi o saudoso SEGA Rally Championship. Glorioso nascido em 1994 e lançado nos arcades, Saturn e PC, contava com 3 carros (SPOILER Lancia Delta Evo, Lancia Stratos e Toyota Celica FIM DO SPOILER), 4 pistas (SPOILER uma na África, uma nas florestas da América do Sul, uma outra nas quebradas de Corsica, e numa que lembra a Grã-Bretanha FIM DO SPOILER), unido a impressionantes gráficos 3D e dirigibilidade que reproduzia as diferenças entre dirigir em variadas superfícies, como areia, terra, cascalho e asfalto.

Vindo dessa linhagem de um certo sucesso (visto o declínio que a série teve durante sua trajetória depois do primeiro), SEGA Rally Revo foi lançado em 2007 para a recém nascida geração HD (PS3, X360 e PC). Para um jogo que tem uma essência bem arcade, ele também é bem arcade no conteúdo, com mais de 30 carros cobrindo o WRC, campeonatos regionais de rally e mais alguns carros vindo de outras categorias, sendo clássicos ou não, e 16 pistas, divididas entre 5 sets (tropical, canyon, safari, ártico, alpes) e uma bônus. Vai, é um conteúdo decente, apesar da falta de circuitos ponto a ponto (como tinha no SEGA Rally 2006).


“Dano uma lavada  aki na caranga pra aparecer xeroso no review”

Gráficos: Cavocando seu jardim

O que dizer sobre os gráficos do SEGA Rally? Hmmmm… Eles são simples. Carros não sofrem danos de nenhum tipo, nem mesmo contam com animações de fogo saindo pelo escapamento, nenhum uso de um filtro visual revolucinário (graças a Deus, HDR NÃO FOI PROSTITUÍDO, o que vendo o ano de lançamento desse jogo, é um grande feito), as pistas de terra parecem ter sido enceradas e aquela velha e manjada história de barreira invisível que não te deixa atropelar cercas, atropelar pessoas ou derrubar barreiras por aí.


As cocota se amarra num chão de cristal

Mas não implode neles serem feios. Os carros são bem feitos, bem modelados e com um bom efeito de reflexos em tempo real, o piloto conta com animações, a sujeira dos carros é modelada (você percebe as pelotas de barro ou neve se formando em tempo real no para-choque do carro, é brilhante), as pistas são muitíssimo bem ambientadas (a vegetação das pistas da floresta é incrívelmente bem feita) e o efeito de partículas é muito decente (com direito a pedras, cascalhos e pedaços de lama voando na sua cara em 3D). E tudo num jogo simplesmente leve. Mas o mais impressionante mesmo é o seu efeito de deformação de terreno, o que acreditem, dá uma grande diferença tanto no visual quanto na jogabilidade.


O jogo é simples, mas o barro é de primeira, gata

Audio: Sinta a mesma emoção de um arcade em sua casa. Sem a cabine. E sem as moedinhas.

Enfim, o áudio. Mais um departamento onde o jogo é simplesmente… Simples. Nada inovador aqui também, carros com seus respectivos sons bem produzidos, navegador com sua voz cool e metalizada de sempre, diversos efeitos sonoros das partículas (genericos que doem na alma, parecem que os produtores baixaram um pack de sons dos anos 80 pela internet e botaram no jogo), e musiquinhas genéricas no menu e nas corridas. Enfim, é uma trilha sonora a altura do jogo.

A parte boa do áudio desse jogo? Bem, além dos roncos dos motores, os controles de áudio funcionam que é uma maravilha.


“Vou te levar na minha humilde residência” - Tarzan

Gameplay: Um arcade arcademente arcade sem medo de ser arcade

Vamos aos fatos, SEGA Rally Revo é um jogo arcade com todos os clichês possíveis e imagináveis, tanto gráficos quando sonoros. E bem, a jogabilidade dele não seria diferente. Tem todos os ingredientes que um arcade deve ter: carros pesados como tampa de isopor revestidos de adamantium pintados com tintas ultra anti risco, pneus ultra grip, suspensão dura e um imã que prende o carro ao solo e não o deixa capotar. Pelo menos os carros nao tem o famigerado motor a jato com 5 turbos.

Mas isso não me incomoda tanto quanto o fato da IA ser virtualmente perfeita, que nunca erra e faz todas as curvas perfeitamente bem, sempre na velocidade requerida e seguindo um traçado perfeito. Ou seja: aqui ou você domina a coisa como deve ser dominada com perfeição², humanamente impossível, ou você se prepara pra uma maratona de corre-reinicia-corre denovo, se quiser fazer todas as corridas com pontuação máxima.


A IA é bruta, rústica e sistemática

Do lado bom, temos os desbloqueáveis: os 30 carros foram muito bem escolhidos, indo das figurinhas conhecidas de WRC, como Peugeot 206, Subaru Impreza e Lancer Evo IX, a lendas do grupo B e WRC do passado, como Lancia Delta, Audi Quattro e Ford RS200, passando pelos kit cars como VW Golf e Toyota Celica, junto a uma variedade de pistas até boa, com o bônus da já citada deformação de terreno, que ao longo da corrida vai fazendo uma boa diferença no traçado da pista e influenciando na dirigibilidade do carro (que vai desde as trilhas normais no meio da terra até ao aumento de poças d’água no meio do caminho).


Pra vocês não acharem que eu tô fazendo o review baseado numa demo e talz, uma pista diferente dessa vez

Resumo da Ópera: Um jogo com adjetivo de 6 letras que todos vocês devem saber qual é.

SEGA Rally Revo, apesar de ser a personificação da palavra “simples”, me surpreendeu positivamente por conta da deformação de terreno, e vá lá, sua seleção de carros. Por conta dos desbloqueáveis, entre carros, pistas e pinturas, ele tem uma longevidade razoável, mas não chega nem perto de ser um masterpiece. É divertido? É. É legal? É. É difícil? Assustadoramente. Repetitivo? Vá lá. Vendo o SEGA Rally Revo, você entende perfeitamente porque a Sega fechou a SRS (Sega racing Studios): conseguiram fazer um bom jogo, mas já igual a tudo que existia e sempre existiu no mercado. E por mais que a deformação de terreno seja uma feature interessante, não foi o suficiente pra abater a extrema simplicidade do jogo.


Pra encerrar, vai uma aurora boreal ae galera?

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